Na escala da bacia Amazônica (ou de país, ou de estado), cada grade é uma unidade amostral, e as unidades de amostragem menores são sub-unidades. Para estudos ecológicos de longa duração dentro do mesmo Sítio, há módulos padronizados espacialmente explícitos que permitem a comparação dentro e entre grades. Nem todos os organismos podem ser amostrados eficientemente na mesma unidade amostral. Entretanto, quanto mais taxa for amostrada dentro da mesma unidade amostral, tanto mais comparações podem ser feitas, e maior a chance de descobrir substitutos (surrogates) para a biodiversidade com uma boa relação custo-benefício. Também, muitos dos grupos com potencial econômico para a indústria farmacêutica (por exemplo fungos, bactérias, viroses, insetos que concentram compostos secundários em plantas) estão intimamente relacionados com organismos maiores, como plantas lenhosas ou vertebrados. Somente estudos integrados podem revelar essas interações, e permitir a avaliação do valor econômico de indústrias extrativas. 

Variáveis preditivas, tais como características do solo, química da água e estrutura da vegetação, podem ser registradas para módulos padronizados, tornando desnecessário cada pesquisador investir tempo e dinheiro para a obtenção dos mesmos dados. Como a coleta de dados de variáveis preditivas (por exemplo análises químicas de solo) é freqüentemente mais custosa que a coleta de organismos, a redução em duplicação de esforços pode levar a uma economia ordens de magnitude maior do que uma simples análise do tempo envolvido. A redução da duplicação de esforços pode também ser importante para profissionais envolvidos com o manejo de parques e reservas. Apesar de métodos de coleta de dados ambientais (por exemplo amostras de solo, coletores de liteira, medidas de todas as plantas em uma dada área pequena) normalmente oferecem um pequeno impacto, a multiplicação desse impacto pelo número de pesquisadores utilizando o sítio seria preocupante. Portanto, evitar a duplicação da coleta de dados também beneficia o gerenciamento de parques e reservas.
 
Por esses motivos, pesquisadores definiram uma série de módulos padronizados que podem ser usados para grupos de organismos específicos. É possível que outros módulos sejam incluídos no futuro, conforme o surgimento de demandas, mas atualmente todos os organismos que foram estudados nas grades do PPBio puderam ser levantados eficientemente em um dos seguintes módulos:
 
1. Parcelas Terrestres: parcelas distribuídas sistematicamente ao longo da grade, apropriadas para estimativas de biomassa (de micróbios a flora lenhosa), a maioria de invertebrados terrestres, pequenos vertebrados e a maioria da flora.
2. Parcelas Aquáticas: parcelas em cursos d'água apropriadas para peixes, crustáceos, insetos aquáticos e vegetação aquática.
3. Parcelas Ripárias: parcelas ao longo da beira dos cursos de água, apropriadas para vegetação ripária e espécies que não são aquáticas, mas são intimamente associadas aos cursos de água (por exemplo anuros, cobras, peixes e girinos de poças).
4. Trilhas: transectos apropriados para vertebrados de médio e grande porte, e plantas raras, que podem ser úteis para estudos de variação genética dentro de uma mesma grade.
 
Esses módulos se mostraram eficazes para organismos em planícies de inundação no Pantanal, savanas amazônicas e florestas tropicais. Dado o sucesso de sua aplicação nesses ambientes, é provável que esses módulos serão eficazes na maioria dos ecossistemas terrestres ou semiterrestres. O esquema de amostragem ainda não foi testado em planícies de inundação de várzeas, áreas costeiras ou marinhas. No entanto, o desenho amostral com trilhas e parcelas permanentes que seguem a cota altitudinal (ou seja, profundidade) poderia ser usado para amostrar a biodiversidade em grandes ecossistemas aquáticos (incluindo ecossistemas marinhos). Somente o modo de transporte e instrumentos de amostragem teriam que ser modificados.
 
A natureza modular das parcelas do PPBio é importante porque não é viável instalar grades grandes em áreas distantes de infra-estrutura ou em áreas nas quais o desenvolvimento vai eliminar completamente a maioria da biodiversidade no curto prazo. Portanto, é necessário ter módulos padronizados que podem ser implementados rapidamente e a baixo custo para avaliações rápidas (RAP). Comparações tornam-se mais difíceis à medida em que o desenho diverge da grade completa utilizada em levantamentos PELD. Além disso, é difícil atrair pesquisadores para conduzir o monitoramento em grades que não têm réplicas de módulos o suficiente para conduzir estudos auto-suficientes como os necessários para dissertações de mestrado e teses de doutorado (veja Mão-de-Obra). Entretanto, com os ajustes estatísticos apropriados, muitas análises úteis podem ser feitas.
 
Grades que não cobrem 5 km x 5 km foram usadas para avaliar a distribuição da biodiversidade numa área na qual foi mais importante ter replicação do que precisão, e na qual trilhas existentes permitiram a instalação de grades a baixo custo (por exemplo parcelas permanentes no PDBFF). Pares de trilhas de 5 Km (distantes 1 Km uma da outra) foram utilizadas como unidades amostrais para avaliar potenciais impactos ao longo da rodovia BR 319 entre Manaus e Porto Velho (como demonstra figura no fim da página). Parcelas ripárias um pouco menores (200 m) do que as utilizadas normalmente no PPBio (250 m) foram utilizadas para avaliar a distribuição de anfíbios em remanescentes urbanos na cidade de Brisbane, Austrália. Parcelas aquáticas foram usadas para conduzir levantamentos de peixes em áreas potencialmente impactáveis pela exploração de gás e petróleo na Amazônia. A figura ilustra como módulos poderiam ser utilizados em volta da grade primária no Parque Nacional do Viruá para levantamentos em área remotas, unidades fisionômicas visíveis em imagens obtidas por sensioramento remoto, e para avaliar impactos antrópicos em áreas em volta do Parque. Essa figura é hipotética, pois até hoje apenas o gride primário foi instalado. O treinamento de pesquisadores e estudantes no Sítio PELD instalará a capacidade local para levantamentos RAP no futuro próximo.
 
 
 
Eficiência em projetos de grande porte
 
Para se obter um resultado mais eficiente no monitoramento de impactos ambientais em projetos de grande porte (extração de madeira, represas hidrelétricas e outros) e que promova tal monitoramento em todos os elementos da biodiversidade e processos ecossistêmicos, indicamos o seguinte módulo:
2 trilhas paralelas de 5 Km distantes 1 Km entre si, com parcelas de distribuição uniforme e número variável de parcelas aquáticas e ripárias, como demonstra a figura abaixo.
 
 
 

Grades e Módulos do PPBio