A maioria das propostas de monitoramento da biodiversidade em longo prazo afundaram devido à falta de recursos financeiros para empregar o grande número de técnicos qualificados pelo longo período que é necessário para o monitoramento, bem como os altos custos para instalar alguns sistemas. Por exemplo, as parcelas da CTFS mantidas pelo Smithsonian Institution custam mais de US$ 300.000 para instalar e conduzir um simples levantamento de plantas vasculares, e isso para uma parcela que cobre apenas 50 ha. Poucas organizações possuem a capacidade de instalar grandes quantidades de parcelas como essa.
 
Os principais interessados no monitoramento a longo prazo dos Sítios PPBio PELD são organizações responsáveis por Reservas (por exemplo Parques Nacionais e autoridades relacionadas com a Fauna Silvestre), organizações responsáveis pelo planejamento do uso da terra (por exemplo prefeituras e agências ambientais federais), Universidades precisando de Sítios para treinar estudantes, donos de terras privadas com objetivos econômicos ou conservacionistas e outros atores envolvidos com o uso da terra. São esses interessados que devem fornecer a infra-estrutura de manutenção do Sítio. Os custos são muito moderados. Muito freqüentemente, grades podem ser instalados por estudantes de engenharia ou por estudantes conduzindo levantamentos. Mesmo com a contratação de terceiros para instalar a grade, o custo é menor que US$ 50.000 no Brasil, e isso fornece a infra-estrutura para fazer levantamentos de todos os grupos da biodiversidade numa escala que é relevante para o manejo. O envolvimento desses atores é importante. Eles não apenas protegem a grade, eles asseguram que os pesquisadores conduzam pesquisas na escala relevante para o manejo utilizando metodologias de levantamento consistentes.
 
As primeiras grades PELD na Amazônia foram financiados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), ou diretamente ou via CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). No entanto, o número financiado pelo MCT é atualmente menor do que o número proposto, ou já instalado com o financiamento de outras organizações. Quase todos os levantamentos RAP feitos utilizando a metodologia PPBio foram financiados por grupos de interesses especiais. Módulos RAP podem ser instalados com uma fração do custo da grade total, normalmente menos de R$1.000 por módulo.
 
Acadêmicos de Universidades e pesquisadores profissionais precisam estar envolvidos para assegurar rigor científico e qualidade de dados. No entanto, tais profissionais são poucos e normalmente sobrecarregados. É simplesmente inviável tentar basear a maior parte dos levantamentos de biodiversidade nesses indivíduos, apesar de sua competência indubitável. Portanto, a maior parte do levantamento deve ser feito por estudantes universitários.
 
Estudantes universitários, especialmente aqueles conduzindo dissertações de mestrado ou teses de doutorado, estão entre os cientistas mais produtivos. Mais importante, eles ainda são jovens e têm o desejo de trabalhar em áreas remotas sob condições difíceis, e normalmente recebem bolsas ou outro financiamento, e assim não precisam gerar muitas das responsabilidades legais custosas associadas com leis trabalhistas. É provável que nenhuma quantia de dinheiro seria o suficiente para atrair essas pessoas dedicadas para fazer simples trabalhos técnicos. Além da infra-estrutura e acesso, o estudante têm um banco de dados com a maior parte dos dados ambientais ele/ela precisará para responder perguntas científicas interessantes sobre um táxon em particular, e o acesso a dados de outras taxa coletados por outros pesquisadores (leia mais em Levantamentos Integrados). O estudante pode concentrar na biologia do seu grupo, sabendo que dados sobre a grade estarão disponíveis, e que poderá participar de estudos integrados. Devido à disponibilidade de dados ambientais de alta qualidade, trabalhos que teriam sido somente listas de espécies glorificadas tornam-se publicáveis em revistas científicas de alta qualidade. A primeira grade do PPBio no Pantanal foi financiada pelo Ministério da Educação (MEC/CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) com um auxílio dado para aumentar a produtividade de professores e estudantes em uma Universidade Federal.
 
A interação entre estudantes e gestores é um dos aspectos mais importantes dos Sítios do PPBio, e importante para treinar a próxima geração de profissionais do uso da terra. A grade da Reserva Ducke, que é quase 3 vezes o tamanho de uma grade do PPBio padrão, tem sido pesquisada para biomassa arbórea acima do solo (duas vezes), peixes de igarapés (duas vezes), peixes de poças, lagartos, sapos, girinos, plantas lenhosas, vegetação herbácea e muitos grupos entomológicos desde que a grade foi instalada em 2000. Todos os levantamentos foram conduzidos por estudantes como parte de suas teses e dissertações, e a maioria foi publicada ou aceita para publicação em revistas científicas de alto nível.
 
Gestores muitas vezes perguntam com qual periodicidade os levantamentos devem ser conduzidos. Em alguns casos pode ser necessário subsidiar levantamentos por alguns taxa de especial interesse. No entanto, para a maioria dos grupos, pesquisadores estarão avaliando a probabilidade de mudanças temporais. Algumas características, como solo, podem mudar lentamente, e haverá interesse científico (e de manejo) apenas em levantamentos com décadas de intervalos. Em comparação, grupos como borboletas podem responder a uma variação anual de clima. Outros grupos, como formigas ou macacos, podem mostrar respostas intermediárias. Não há motivo para uma atitude paternalística quanto a levantamentos. Expectativas de mudança resultam em interesse científico e de manejo. Pesquisadores (e seus estudantes) estão sempre atentos para resultados publicáveis. A informação contida no banco de dados sobre diversas formas de vida e variáveis ambientais também conduz à formulação e teste de hipóteses sobre conexões e interações ecológicas sutis. A estrutura PELD transforma o monitoramento em uma atividade científica altamente lucrativa, mesmo quando não há retorno financeiro imediato. Bioprospecção e outras atividades econômicas geram seus próprios financiamentos.
 
Há bastante financiamento disponível para trabalhos com biodiversidade em áreas remotas e interessantes, como a Amazônia. No entanto, pouco trabalho é feito devido à falta de mão de obra qualificada. Muito freqüentemente, universidades locais possuem cientistas residentes, mas muitos deles tornaram-se envolvidos em um círculo vicioso de baixa produtividade tornando-os não competitivos para a obtenção de auxílios, o que significa que eles não conseguem melhorar sua produtividade. Agências financiadoras são compreensivelmente hesitantes em fornecer financiamento para estudos com desenhos experimentais de baixa qualidade, e para pesquisadores que são pouco produtivos e com poucos contatos científicos. O objetivo do PPBio, especialmente dos Sítios PELD, é quebrar esse círculo de improdutividade. Os Sítios PELD trazem um desenho experimental robusto no qual até mesmo inventários básicos podem ser utilizados para responder questões importantes em relação à biodiversidade e a processos ecossistêmicos. O Programa PPBio oferece treinamento para estudantes e pesquisadores locais e, mais importante, fornece o fluxo de trocas científicas entre consórcios regionais e Instituições estabelecidas em outras regiões que é necessário para manter a qualidade da pesquisa. Portanto, o PPBio oferece uma estrutura geral para intercâmbio entre pesquisadores locais, nacionais e internacionais da qual todos podem se beneficiar. 
 
 

Mão de Obra para Implementar Levantamentos