Parcelas permanentes
 
O PPBio instala e mantém em funcionamento parcelas permanentes para pesquisas ecológicas de longa duração. Cada sítio de pesquisas pode, dependendo da heterogeneidade ambiental, abrigar diversos tipos de parcelas permanentes. Existem parcelas que são distribuídas sistematicamente ao longo das trilhas (parcelas de distribuição uniforme) e normalmente usadas para amostrar organismos que são encontrados com freqüência, como insetos, plantas herbáceas, fungos, anfíbios, répteis, etc. Existem também parcelas permanentes desenhadas para amostrar organismos aquáticos de pequenos corpos d’água como peixes e insetos aquáticos (parcelas aquáticas), para organismos que vivem ao redor desses corpos de água, como vegetação ripária e anfíbios (parcelas ripárias) e para organismos que usam corpos d’água maiores como jacarés e quelônios. Para os organismos que não podem ser amostrados em parcelas pequenas, ou seja, aqueles organismos que normalmente são pouco freqüentes no ambiente como árvores de interesse comercial, ou aqueles que apresentam grande mobilidade, como os grandes mamíferos, as trilhas principais podem ser usadas como unidades de amostragem.
 
Parcelas permanentes de distribuição uniforme
 
As parcelas permanentes de distribuição uniforme seguem a curva de nível do terreno. Esta característica minimiza a variação interna de topografia e tipos de solo em cada parcela, e permite o uso destas variáveis como preditoras das distribuições de espécies. O desenho pode ser usado para vários taxa e estágios de vida, ajustando a largura ou distribuindo sub-amostras ao longo da parcela (ver Magnusson et al. 2005 para mais detalhes). O número de parcelas instaladas depende do tipo do sítio de pesquisa (módulo ou grade completa). Nas grades completas são instaladas 30 parcelas permanentes (Figura 1). Nos módulos esse número pode variar dependendo do tamanho e formato, veja um exemplo dos módulos instalados ao longo da BR-319 (Figura 3).
 
Como instalar as Parcelas Permanentes
 
As parcelas são distribuídas de forma sistemática ao longo das grades ou módulos com 1 km de distância entre si e tem 250 m de comprimento. A demarcação da linha central das parcelas é feita por no mínimo duas pessoas e o material de campo essencial é um clinômetro (aparelho que mede a inclinação do terreno) ou teodolito. A linha central da parcela, que acompanha a curva de nível do terreno, é materializada com barbante de plástico, sempre em segmentos retos de 10 m (Figura 2). Estes segmentos são fixados com piquetes feitos de tubos de PVC branco com diâmetro de 1/2 polegada e comprimento de 50 cm (20 cm ficam enterrados e 30 cm ficam acima da superfície do solo). Cada piquete recebe uma placa de alumínio indicando a metragem ao longo da linha central. Seu início é a 10 m de distância da trilha principal, seguindo a cota de nível do piquete instalado na trilha principal. No caso das grades completas essas parcelas são sempre instaladas nas marcações de 500 m de cada quadrante (Figura 1).
 
O processo de demarcação das parcelas pode ser descrito da seguinte maneira: ao chegar ao marco de onde se deseja iniciar a instalação da parcela (marcações de 500 m de cada quadrante, no caso de grades completas), uma pessoa se situa no piquete da trilha principal com o clinômetro e a outra pessoa se desloca aproximadamente 10 m para o lado DIREITO da trilha principal. A pessoa que ficou no piquete da trilha principal então indica para a outra pessoa qual é exatamente o ponto que está na mesma curva de nível do piquete de 500 m. Essa indicação é dada pelo clinômetro, e para encontrar o ponto certo, muitas vezes é preciso andar para os lados. Uma vez achado um ponto que está no mesmo nível topográfico que o piquete da trilha principal é preciso medir com uma trena 10 m de distância (que antes havia sido apenas estimado). É importante checar novamente, usando o clinômetro, se o novo ponto está mesmo seguindo a curva de nível do terreno em relação ao piquete da trilha principal. Devidamente conferido esse novo ponto será o início da parcela (piquete 0 m). Um cano de 50 cm com uma plaqueta de metal indicando "0 m" é fixada neste local. Uma vez marcado o ponto zero, um barbante plástico deverá ser puxado do piquete da trilha central até o ponto zero da parcela (amarrado no cano). A pessoa situada no piquete da trilha principal marca um novo ponto a 60 cm para a DIREITA. Este ponto deverá ser marcado também com um cano de 50 cm. A pessoa situada no ponto zero realiza o mesmo procedimento, assim será possível esticar outro barbante entre os novos pontos marcados. Este procedimento irá garantir a delimitação de um caminho único, com os dois barbantes dispostos paralelamente, para que pesquisadores caminhem na parcela (Figura 4). Note que até este ponto do processo, NENHUM elemento da vegetação deverá ser cortado. Somente após a demarcação, deverá ser cortada apenas a vegetação que estiver no interior do caminho. A pessoa que estava no piquete da trilha central se desloca para o piquete "zero" e a outra pessoa caminha mais 10 m e repete todo o processo, até o ponto 250 da parcela. Ao final do processo, uma parcela medindo 250 m, seguindo a curva de nível e com um caminho de 60 cm para a passagem de pesquisadores estará instalada.
 
O processo é simples, porém, alguns problemas podem acontecer durante o processo de instalação:
 
- Curvas com inclinação menor ou igual a 70° (Figura 2 – b):
Como as parcelas permanentes seguem a curva de nível do terreno, a mesma não necessariamente segue uma linha reta e pode apresentar um traçado sinuoso. Dependendo do organismo a ser estudado, a parcela varia em sua largura. Por exemplo, para fungos de solo a parcela possui 25 cm de largura, e para árvores grandes (acima de 30 cm de DAP), 40 m. Quando a inclinação entre segmentos (três piquetes) é menor do que 70° (Figura 2-b), a sobreposição entre a área amostrada (no caso de árvores grandes, por exemplo), é muito grande. Desse modo, foi estabelecido que uma inclinação igual ou menor que 70° não é aceitável. Quando isso ocorre, os piquetes que apresentaram inclinação demasiado pequena deverão ser ignorados e a distância que foi ignorada deverá ser compensada no final da parcela (Figura 2) .
 
- Parcela encontra a trilha central (Figura 2 – a):
Dependendo da topografia, a linha central de uma parcela poderá cruzar a trilha principal da grade (ou módulo) (Figura 2 – a). Como a vegetação da trilha encontra-se alterada, este trecho não pode ser considerado como uma parte efetiva da parcela. Neste caso, devem-se desconsiderar os trechos que estiverem sobrepostos à trilha da grade e adicionar os trechos correspondentes no final da parcela (Figura 2). 
Figura 1. Esquema demonstrando a localização e tamanho da grade de pesquisa RAPELD e parcelas associadas.
 
 
Figura 2. Possíveis problemas durante a implementação de parcelas permanentes terrestres. Apenas a linha central da parcela está representada. a – Parcela encontra a trilha principal; b – Curvas com inclinação menor ou igual a 70°.
 
Figura 3. Exemplo de módulo de pesquisa RAPELD instalado no Km 290 da BR-319 - AM.
 
Figura 4. Exemplo de corredor central da parcela, por onde os pesquisadores devem caminhar.

 

Instalação Parcelas Permanentes em uma Grade RAPELD