Diversas iniciativas para o monitoramento da biodiversidade vêm acontecendo. Pelos motivos já abordados, essas iniciativas têm limitações taxonômicas ou de cobertura geográfica. No entanto, elas acumularam dados extremamente valiosos que podem ser utilizados para avaliar tendências de longo prazo de alguns grupos. Para maximizar a utilidade de Sítios PPBio PELD, e de módulos usados para bioprospecção e avaliação de impacto, é importante que dados dessas iniciativas possam ser integrados com os dados coletados no PPBio. Essa foi uma das principais considerações no desenho das primeiras grades e módulos do PPBio. 
 
A figura seguinte mostra uma grade hipotética do PPBio com módulos usados por alguns dos principais projetos de monitoramento da biodiversidade ou de ecossistemas.
 
 
A parcela central de 100 ha utilizada pelos Sítios iniciais do TEAM da Conservation International cabe dentro de um dos quadrados de 1 km x 1 km delimitados pelo sistema de grade do PPBio (veja o quadrado vermelho na figura). Há duas parcelas do TEAM dentro da Reserva Ducke. O levantamento da vegetação é feito em parcelas menores dentro da parcelas de 100 ha e plantas lenhosas de grande porte só são levantadas em uma parcela central de 1 ha. Parcelas do TEAM são muito pequenas para o monitoramento eficaz da maioria dos mamíferos. Por isso, armadilhas fotográficas (camera trapping) e outros levantamentos são realizados fora da parcela principal, a qual sofre distúrbios intensos pela presença humana. Trilhas do PPBio fornecem acesso às áreas adjacentes, e as armadilhas fotográficas do TEAM são utilizadas ao longo de toda a Reserva Ducke, utilizando as trilhas do PPBio para acesso.
 
A Smithsonian Institution, pela iniciativa CTFS, instalou parcelas de 50 ha de alto custo por todo o mundo, e essas parcelas vem sendo usadas para revolucionar o pensamento sobre a dinâmica de florestas tropicais. Uma parcela padrão de 50 ha da CTFS cobriria metade de um dos quadrados de 1 km x 1 km delimitado pelo sistema de grade do PPBio (veja o quadrado amarelo na figura). A CTFS planeja instalar uma parcela dentro da grade na Reserva Ducke, mas está aguardando disponibilidade de recursos (Kyle Harms, comunicação pessoal).
 
O Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA) na Amazônia foi inicialmente um projeto conjunto entre a agência espacial norte-americana NASA/EUA, a União Européia e o Ministério da Ciência e Tecnologia Brasileiro (MCT), o qual está atualmente sendo continuado como um projeto exclusivamente brasileiro. É um exemplo da utilização de alta tecnologia para estudos de processos ecossistêmicos que são mais eficazes quando inseridos em um programa de mesoescala como o PPBio para utilizar amplamente os dados produzidos com alto custo (veja o quadrado preto na figura). Uma iniciativa coordenada entre o LBA e o PPBio planeja instalar grades do PPBio em volta de cada torre de fluxo do LBA.
 
Parcelas padrão de 1 ha para levantamento de vegetação são usadas em estudos convencionais de botânica e de ciências florestais e também podem ser facilmente acomodados dentro das grades do PPBio. A grade da Reserva Ducke já está inserido no Amazon Tree Diversity Network. Na grade do PPBio na Ilha de Maracá (RR) muitas parcelas permanentes para estudos de vegetação instaladas por José Fragoso e colaboradores. Heraldo Vasconcelos utilizou módulos iguais às parcelas permanentes terrestres do PPBio para amostrar formigas em áreas nas quais a vegetação tinha sido levantada em parcelas convencionais de 1 ha dentro do PDBFF.
 
Carlos Peres da Universidade de Anglia (UK) e seus colaboradores vêm conduzindo levantamentos extensivos de mamíferos de médio e grande porte ao longo de toda a Amazônia. Muitos desses levantamentos foram baseados em transectos padronizados de 5 km. A grade do PPBio foi desenhada para permitir levantamentos de mamíferos comparáveis com esses já conduzidos por Peres e seus colaboradores (veja as linhas azuis na figura).
 
A Wildlife Conservation Society (WCS) conduz estudos intensos com onças (Panthera onca), um predador de topo na maioria dos ecossistemas terrestres da América do Sul. Um grade de 36 km2 é considerado ótimo para estudo de onças (Andrew Taber, comunicação pessoal). Apesar de parecer muito maior do que a grade do PPBio, essa área pode ser obtida simplesmente acrescentando trilhas extra para cobrir uma faixa de 1 km em volta da grade básica (veja a linha magenta na figura). Outro predador de topo, o Gavião Real (Harpia harpyja), foi detectado e estudado na Reserva Ducke utilizando o sistema de grade do PPBio (Tânia Sanaiotti, comunicação pessoal). 
 
 

 

Compatibilidade com Iniciativas Existentes